terça-feira, 13 de outubro de 2026

Pastoral da Moradia e Favela da Arquidiocese de Fortaleza e o 2° turno das eleições


 

   O segundo turno das eleições presidenciais está aí. Apesar das inúmeras notícias falsas que circulam, não é tão difícil entender o que está em disputa. Vejamos.

   

   Imaginemos que estamos em plena escravidão. De um lado, a casa-grande, onde mora o escravizador, proprietário da terra. Do outro, a senzala, onde vivem as trabalhadoras e os trabalhadores escravizados. Entre uma e outra está o feitor, encarregado de administrar a fazenda e fazer cumprir as ordens que vêm da casa-grande.

    

    Flávio Bolsonaro é do tipo de feitor bajulador, que acredita que uns nasceram para ser escravos, enquanto outros vieram ao mundo para mandar e desfrutar da boa vida. Ele fala como se essa divisão fosse vontade de Deus. Quando declara: “Ou menos direitos e mais empregos, ou mais empregos e menos direitos”, está dizendo, em outras palavras: “Não mexam com a casa-grande. Ou aceitam numa boa a condição de escravo, ou terão problemas.” Assim era o nazismo na Alemanha: tudo para os ricos e, para a classe trabalhadora, ameaça, miséria, exaustão física e mental, prisão, obediência, morte.

    

   É por isso que o filho mais velho de Jair Bolsonaro, tal e qual o pai, já se pronunciou inúmeras vezes como admirador de torturadores e milicianos, que representam, nos dias de hoje e de um passado recente, o açoite dos tempos da escravidão, a punição aplicada contra trabalhadores que desobedeciam ao fazendeiro.


   Com essa explicação, fica fácil entender por que, quando os governos dos Estados Unidos e de Israel invadem países e assassinam dezenas de milhares de crianças e mulheres, Flávio Bolsonaro aplaude de pé, como se o sofrimento não existisse, como se fosse uma guerra justa, como se fossem apenas números em um jogo de tabuleiro.


   Ele está sempre do lado dos mais poderosos. Numa eventual invasão das forças armadas dos Estados Unidos contra o Brasil, os Bolsonaros já deixaram evidente que estarão ao lado de Trump. Logicamente inventando inúmeras mentiras para que a população creia que a invasão fará bem ao país.


   Já Lula é alguém que veio da senzala e hoje ocupa essa função intermediária diante da casagrande. Tenta convencer os proprietários escravizadores de que, com uma senzala feliz, com melhorias em suas condições de existência, todos podem ganhar. Certa vez declarou numa entrevista que “foi preciso um torneiro mecânico com tendências socialistas ser eleito para fazer o capitalismo funcionar”, referindo-se aos seus primeiros anos de governo.


   Os escravizadores olham Lula com desconfiança, mas sabem que ele pode ser útil para conter eventuais revoltas da senzala. Isso porque estão certos de que a intenção de Lula não é pôr fim à escravidão. Lula se apresenta como alguém que pode amenizar os efeitos da desigualdade ao se projetar como ponte entre trabalhadores e patrões.


   A ideia pode até ser boa, mas, na prática, ainda que haja conquistas ou perdas comparativamente menores por parte da senzala, ao final o escravizador acaba sempre levando a melhor e aumentando a carga de exploração. Até o dia em que a crise sinaliza no horizonte e o representante do diálogo é descartado, substituído pelo feitor do chicote, enquanto os direitos conquistados são desfeitos como nuvens ao vento.


   Agora chegou sua vez de refletir sobre o que foi dito. Compare com a realidade. Vá a fundo, questione, procure até encontrar. Afinal, quem coloca a verdade para dentro de você é você mesmo.


   De nossa parte, o que percebemos é que, se você é um ser humano, uma pessoa sensível à dor humana, se pensa como um ser humano, se investiga e vai atrás das respostas, dificilmente Flávio Bolsonaro será opção.


   E se você é trabalhador ou trabalhadora, se sonha e deseja ardentemente o fim da escravidão, sabe que seu voto neste momento tem importância. Se for votar em Lula, vote, mas não pare por aí. É fundamental seguir se organizando, unindo-se aos irmãos e irmãs de senzala e agir, lutar incansavelmente, independentemente de quem governe, preparando o dia de quebrarmos definitivamente as correntes.


Coordenação da Pastoral da Moradia e Favela da Arquidiocese de Fortaleza


Fortaleza, 07 de outubro de 2026 

Pastoral da Moradia e Favela da Arquidiocese de Fortaleza e o 2° turno das eleições

     O segundo turno das eleições presidenciais está aí. Apesar das inúmeras notícias falsas que circulam, não é tão difícil entender o q...