segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A OPA e as eleições 2026, no Brasil e no Ceará

 


    A OPA não pede voto nem lança candidatura. Esse princípio organizativo foi criado para que as disputas eleitorais, com altas chances de se tornarem eleitoreiras, não invadissem nossa coordenação e nos espatifassem em mil pedaços. Poucas coisas são tão nocivas a uma organização quanto uma coordenação fraturada, sem coesão.

    Isso não significa que sejamos neutros nas eleições. Neste período, como em todos os outros, aliás, estamos em luta e em formação. Para nós, o assunto “eleições” está sempre presente em nossas reflexões, e não somente de dois em dois anos. Diga-se de passagem, reflexão é justamente o que pretendemos fazer neste exato momento, ao lermos e debatermos esse texto.

    Nesse processo permanente de aprendizado, as comunidades da OPA sabem, por exemplo, que, se algum trabalhador ou trabalhadora vota no fascista, em Bolsonaro, atira contra sua própria classe, contra seu próprio corpo.

    Bolsonaro é desumano e golpista, defensor de uma ditadura que implemente, com violência, aquilo que os mais ricos desejam. Além disso, mostra-se completamente obediente aos mandos e desmandos do império estadunidense. Se o exército dos Estados Unidos invadisse o Brasil, eles ficariam ao lado de Trump. Os Bolsonaros riem da desgraça que atinge o povo trabalhador. Se pudessem, reinstituiriam o regime de escravidão. Não estão nem aí para a destruição da natureza. São negacionistas, ou seja, propagandeiam que as mudanças climáticas nada têm a ver com o modelo devastador de sociedade em que vivemos.

    Em última instância, e com exceção de setores que podem entrar, por um motivo ou outro, em choque, os patrões aos quais Bolsonaro serve determinam também o grosso da política econômica do governo Lula. A forma de fazer, no entanto, difere inquestionavelmente de um para o outro.

    A indiferença necessária à produção do lucro — não sentir a dor do outro que se explora ou que sofre com as consequências da acumulação da riqueza — torna o capitalismo uma verdadeira fábrica de ricos psicopatas sociais. Lula é um humano servindo a um sistema estruturado para ser desumanizador. Alguém preocupado com a crise ambiental, mas que procura saídas para ela nas brechas do sistema, como se isso fosse possível. Troca benefícios e tenta convencer os devastadores e exploradores de que ser menos agressivos em relação à natureza e ao povo trabalhador lhes proporcionaria um ganho bem maior.

    Ao evitar conflitos diretos com os interesses capitalistas dominantes, acaba por segurar boa parte das organizações da classe trabalhadora que o seguem como princípio primeiro de tudo. Em relação aos Bolsonaros e seus amigos mais próximos, o projeto Lula, seja ele aplicado no Brasil ou no mundo, retarda a queda no abismo, mas é incapaz de evitar o trágico fim que aguarda a humanidade, caso a luta do povo não force uma mudança radical de rota.

    Candidaturas como a do camarada Edmilson Costa (21), do PCB — amigo e apoiador da luta da OPA, além de portador de propostas que realmente servem ao povo — dificilmente serão massivamente conhecidas em um cenário em que o dinheiro é quem manda. Imaginar um contexto em que alguém com as ideias de Edmilson dispute palmo a palmo os primeiros lugares das eleições é conceber que a consciência do povo se encontre em outro patamar, pronta, certamente, para mergulhos transformadores mais profundos.

    Já na disputa para o governo do Ceará, Ciro se aliou ao que há de pior. Elmano, por sua vez, aprovou os drones da morte, no intuito de se mostrar mais eficiente do que seu adversário no atendimento aos interesses do agro. Não à toa, Ciro se declarou favorável à medida. No frigir dos ovos, as candidaturas no estado refletem, mais ou menos, o que são as candidaturas nacionais em suas diferenças e semelhanças. A peculiaridade talvez seja o fato de, não sendo Ciro um bolsonarista, encontrar-se embrulhado por inteiro no pacote oportunista dos fascistas.

    A OPA não é oposição a governos de esquerda. Somos contra o capitalismo e seus projetos. Por isso, lutamos independentemente de quem governe, até o dia em que o próprio povo organizado faça sua revolução e comande com suas próprias mãos o país. Para que isso ocorra, precisamos ter a capacidade de envolver o máximo de pessoas possível. Como uma grande família que cresce, cresce e cresce, mas que não esquece seu sobrenome; no caso, sua missão. Dessa forma, venha de onde vier, se é para apoiar ou construir diretamente o Poder Popular, seja muito bem-vindo, bem-vinda!

    Entre as pessoas bem-vindas encontram-se valorosos parlamentares — deputados, vereadores — reconhecidos por todas as comunidades da OPA por estarem na luta com a gente, sobretudo nos momentos mais difíceis, resistindo a ordens de despejo e se colocando ombro a ombro quando das perseguições mais implacáveis, disponibilizando seus mandatos e seus corpos para a libertação do povo.

    No Ceará, é impossível não reconhecer o testemunho vivo e de longa data de camaradas como Renato Roseno, Gabriel Biologia, Ailton Lopes, Adriana Gerônimo e Reginaldo. Outros que se aproximam, como a professora Ana Karina, já começam a integrar a memória afetiva de nosso povo guerreiro. Neste sentido, disponibilizamos a seguir seus números de campanha, antes que, como é de costume, os e as camaradas das comunidades nos peçam:

  • Renato Roseno (PSOL): 5050, candidato a deputado federal.

  • Gabriel Biologia (PSOL): 50555, candidato a deputado estadual.

  • Ailton Lopes (PSOL): 50500, candidato a deputado estadual.

  • Adriana Gerônimo (PSOL): 5077, candidata a deputada federal.

  • Reginaldo (PSTU): 162, candidato a senador.

    Por fim, companheirada, precisamos lembrar que a luta é algo bem mais amplo do que a disputa entre esquerda e direita. Ela é de classes! Opressores contra oprimidos, exploradores contra explorados, capitalismo contra defesa da vida. É por isso que não podemos inverter as coisas. As eleições são um dos componentes da luta de classes, e não o contrário. Não é a eleição que determina o sentido da nossa luta. É a luta que deve orientar nossa relação com as eleições.

    É importantíssimo para o avanço do Poder Popular haver cada vez mais pessoas com essa compreensão, inclusive parlamentares. Por isso, vote em quem votar, ou não vote, sigamos em frente. Sigamos construindo uma união de base mais pulsante a cada dia, ampliando nossa capacidade de organização e de envolvimento, aprofundando nossos vínculos e aumentando a força do Poder Popular.


Coordenação da OPA/Ceará

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