sábado, 24 de janeiro de 2026

O QUE É QUE A LUTA PELA TERRA TEM A VER COM O VENENO NOSSO DE CADA DIA

Retomada Poeta Colibri, no Ceará, enfrenta atualmente as forças do latifundiário Zezinho Albuquerque, deputado estadual e secretário de governo.

 

Thales Emmanuel, militante da OPA.


Segundo o IBGE, 1% de proprietários controla metade das terras agricultáveis no Brasil. Os 99% restantes que se virem com a outra metade.

Se você teme o câncer, se se preocupa com a chegada da demência, se a depressão de algum parente lhe desassossega a vida, saiba que estas são doenças diretamente ligadas à estrutura agrária do seu país!

O agronegócio no Brasil, o modelo empresarial dominante na agricultura, parte da junção do latifúndio com a indústria capitalista, aquela que produz os agrotóxicos. Praticamente tudo é envenenado por conta deste pacto assassino, inclusive o que sua família come.

Para obterem o controle total das terras, os grandes proprietários expulsaram quem nela habitava. A luta indígena, quilombola, camponesa, a luta do povo trabalhador pela terra, sua resistência, é, pois, o contraponto primeiro, a mais elementar forma de enfrentamento quando pensamos em nos curar dos agrotóxicos e seus malefícios.

O uso de agrotóxicos no Brasil cresceu 700% em trinta anos, assim como cresceu a área controlada pelo modelo do agronegócio, assim como cresceram os novos casos de câncer, quase um milhão a cada três anos. Temos o pior índice de pessoas que sofrem com depressão e ansiedade da América Latina. O glifosato, herbicida mais consumido no país, tem sido associado a danos cerebrais e ao aumento do risco de demência. Não é mera coincidência!

A família camponesa - assentada da Reforma Agrária, pequena proprietária ou posseira - tem uma relação totalmente diferente com a terra. Ela mora lá, seus laços de afetividade são construídos lá. Se usa veneno, será a primeira a ser atingida. E quem gosta, em seu são juízo, de ser envenenado?

Isso quer dizer que o camponês não utiliza agrotóxico em sua produção? Seria absurdo acreditar que a imposição de todo um sistema não implicaria no uso dos químicos por parte de parcela dos trabalhadores. Obviamente, nada comparado à contaminação provocada pelo modelo empresarial. Vem dos movimentos populares, inclusive, a elaboração de alternativas saudáveis concretas para toda a sociedade, como a agroecologia.

Para concluir, se você quer manter distância do câncer, da depressão e da demência, se não curte agrotóxico em sua mesa, mas se invoca contrário ou contrária às ocupações ou retomadas de terra feitas por organizações populares, das duas, uma: ou é por desconhecimento ou por hipocrisia. E por desconhecimento agora não é mais.


 

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