quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

LATIFÚNDIO AMEAÇA E FAMÍLIAS TRABALHADORAS FECHAM ESTRADA EM PROTESTO




 

Equipe de Comunicação da OPA.


As famílias da Comunidade Poeta Colibri, no município de Morrinhos, Ceará, fecham, desde os primeiros minutos da manhã de ontem, 21/01, uma estrada que liga o distrito de Sítio Alegre ao município de Santana do Acaraú.


Estamos aqui para denunciar mais uma ordem de despejo de um doutor da lei contra a gente. Já convidamos juízes e a Comissão de Resolução de Conflitos Fundiários para visitar a comunidade. Vê essa terra: ela não produzia nada, estava abandonada por muitos, muitos anos. Comprove com os próprios olhos! Agora, desde que entramos, estamos trabalhando nela, produzindo alimentos para nós e para toda região. Aprendemos que fazenda grande abandonada tem que ser entregue para quem quer trabalhar nela. Tá na Constituição Federal! Zezinho Albuquerque não pode ser maior que a lei. Não pode! Tão tentando fazer com a gente o que estão fazendo com a Venezuela: invadir, despejar para roubar nossa riqueza! A terra é nossa mãe, nosso sustento, nossa maior riqueza! Por isso gritamos assim: Fora Trump da Venezuela! Fora Zezinho Albuquerque da Poeta Colibri”, declarou Maria Cleide, jovem moradora da comunidade, durante o protesto.

Quando as Forças Armadas dos Estados Unidos invadiram a Venezuela e, de olho em suas riquezas, sequestraram o presidente e a primeira-dama, muitos pensaram: “Esse Trump se acha o dono do mundo!”. No interior do Ceará, o deputado e secretário de governo, Zezinho Albuquerque, manobra mais uma vez para despejar as famílias da Comunidade Poeta Colibri. De igual maneira nos perguntamos: “Estará ele acima da lei?”

Trump passou por cima do direito internacional. Já no processo da Poeta Colibri, um dos juízes delegou descaradamente ao advogado do latifundiário, em audiência com participação dos trabalhadores!, o poder de suspender ou manter o despejo. Em outro episódio, um dos desembargadores que estiveram no caso afirmou que o despejo precisaria acontecer com rapidez. O motivo? “Venho recebendo pressão do proprietário”. Terá a sociedade dos “ricos cada vez mais ricos, às custas do povo, cada vez mais empobrecido” abandonado a necessidade das aparências?

O povo venezuelano quer sua soberania assegurada. Luta contra o invasor e pelo direito de decidir seu destino. As famílias da Poeta Colibri almejam sossego para trabalhar e viver com a dignidade merecida na terra retomada. Desde o começo denunciam várias violências vindas do latifúndio, como uma blitz ilegal na comunidade, comandada por seu segurança particular e feita com a presença de inúmeras viaturas da Polícia Militar; e o fogo criminoso que se alastrou na calada da noite contra bandeiras e a casa de um morador, destruindo-a parcialmente. Até boletim de ocorrência foi feito, mas a lâmina da Justiça, quando se move, é sempre na direção da comunidade. Por que será?

A última ordem de despejo, que permanece em aberto até o presente momento, foi emitida em dezembro de 2025 pelo juiz Fábio Medeiros Falcão de Andrade, da Comarca de Santana do Acaraú. Desde então, a tensão na comunidade é permanente.

Por que o juiz não se ordena fazer uma visita à comunidade? Por que a Comissão de Resolução de Conflitos Fundiários não aparece? Se um lado diz uma coisa, e o outro, outra, tem que vir conferir no local quem tá falando a verdade, não é, não? Quem vai ter a coragem de emitir a liminar de comprovação da verdade? É isso que o povo está cobrando, nem mais nem menos”, avaliou Thales Emmanuel, da coordenação da Organização Popular (OPA).

Não existe prazo estipulado para o destrancamento da estrada. O que as famílias trabalhadoras querem e precisam é de solução.

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