segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

FAMÍLIAS REALIZAM RETOMADA DE TERRA EM CRATEÚS


                             Thales Emmanuel, militante da Organização Popular – OPA


            O município de Crateús, no sertão cearense, amanheceu o dia de ontem, 28/01, com mais um passo dado na construção do Poder Popular. A cidade, conhecido território indígena multiétnico, acordou com mais uma retomada urbana, uma ocupação de luta por terra e moradia.

         As trinta famílias Sem Teto, organizadas na OPA, são sócias da Associação de Moradores e Agricultores do Conjunto Nossa Senhora de Fátima, respeitada entidade local de defesa dos direitos humanos.

“A retomada foi feita à meia noite, do dia 27 para o dia 28. Mas ela vem de bem antes. Tivemos muitas reuniões de preparação até chegarmos aqui. Estamos conscientes do que vamos enfrentar, e vamos até o fim. Precisamos de casa para morar. É uma necessidade e um direito nosso.”, declarou Vicente, um dos ocupantes.

            Para Fabiana Araújo, indígena potiguara e membra da coordenação local da OPA, “as famílias lutam pela urgência da sobrevivência, mas o processo para a retomada é todo ele de formação. Formação em práticas de solidariedade, formação em organizar as várias formas de resistência popular, em viver em comunidade, formação para entender que é preciso se unir, povo oprimido e explorado, contra o sistema capitalista que nos massacra. Estudamos, cantamos, nos abraçamos e lutamos, tudo ao mesmo tempo.”

Já Raimundo Nonato, igualmente da coordenação local da OPA e morador da comunidade Poty, atingida pela Barragem Fronteiras, destaca que “onde tiver um irmão ou irmã lutando por direitos (moradia, terra...), estaremos juntos. Deus deixou o planeta para todos, mas alguns ‘espertos’ se apossaram criminosamente dele, deixando a imensa maioria passando necessidade. Não vamos baixar nossas cabeças e aceitar ordens de nenhum capitalista. Mexeu com uma comunidade, mexeu com todas!”

O termo “Retomada” vem da tradição de luta indígena e significa “pegar de volta o que nos foi roubado”; no caso, a terra e todos os direitos que garantam a dignidade humana imprescindível às famílias.


* Apoie esta luta compartilhando esta mensagem e contribuindo com a estruturação do acampamento através do pix: 88992300909 – José Breitner Soares de Castro.




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